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Conheça um pouco da história da BAUERNMALEREI

 

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HISTÓRIA DA BAUERNMALEREI

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No museu de Strassburgo, está exposto um quadro, ricamente detalhado, no qual é retratada uma “procissão” de casamento. Neste quadro, pintado por Gustave Brion, vemos um grupo de pessoas e, bem na frente, uma noiva sendo cumprimentada na entrada de sua nova residência. Atrás do grupo, há uma carroça, enfeitada com flores, com um armário e, dentro deste, estão o dote e todos os presentes que esta noiva recebeu.

A peça mais importante e a que atrai todos os olhares é o armário ricamente pintado e presente dos pais da noiva. Este armário tem uma história que começa com o nascimento de uma filha. A tradição mandava que fossem cortados alguns dos melhores pinheiros da floresta, em forma de tábuas que eram postas para secar até o dia em que esta filha ficasse noiva. No dia do noivado e, dependendo da classe social da filha/noiva, era chamado um escultor ou marceneiro que também soubesse pintar. Este apresentava aos contratantes uma série de desenhos tradicionais, que por sua vez eram adaptados às tendências de pintura da época, para serem pintados no armário. A noiva podia escolher entre os desenhos de uma “Arvore da Vida” ou um “Buquê de Flores” composto por tulipas, rosas, cravos e romãs, que poderiam ser acrescidas de frutas, principalmente uvas, caso a noiva morasse em uma região produtora de uvas.

Não era hábito pintar flores do campo, mas era comum desenhar o nome da noiva, ou dos noivos, e a data do casamento, com letras e números bem decorados, na parte central superior do armário. As noivas de “menos posses” pintavam seus próprios armários e o resultado dependia do talento de cada uma. Enfim, cada noiva da época possuía o seu armário como mandava a tradição.

Além do gosto pela estética e pelo que é bonito havia também outro motivo que levava as pessoas a pintar objetos e móveis de madeira. Eles sentiam a necessidade de se ocuparem de maneira produtiva e prazerosa durante as longas noites de inverno, quando o trabalho no campo era impossível.

As madeiras dos pinheiros, com sua superfície lisa, sem poros visíveis, de textura fina e sem coloração, eram as bases perfeitas para serem pintadas. A partir do século 17, os artistas começaram a fazer pinturas completas nas áreas planas dos armários. Pintavam cenas da vida cotidiana, da vida no campo, temas relacionados às estações do ano, bem como temas religiosos. Retratavam Jesus e Maria ou cenas da vida dos santos.

As pinturas recebiam molduras imitando conchinhas, bem ao estilo rococó ou então arabescos ou ainda outros moldes ousados. Estas molduras transformavam a pintura em verdadeiras obras de arte. Apesar da influência de estilos (épocas) anteriores, a pintura se libertou da estilização e dos simbolismos. O século 18 foi o auge da arte policromática. Agora o modelo pintado aparece de fato, as cores são numerosas e detalhadas em suas nuances, o traço é elegante, delicado e gracioso. A pintura alegre e colorida dos móveis torna-se “a arte” entre os nobres e os burgueses.

A corte francesa dá preferência aos artistas italianos. É a época do rococó com seus ornamentos em formato de conchinhas, seus laços e fitas que envolvem buquês e guirlandas. A decoração é extremamente refinada. O estilo de Napoleão III mantém as características do século 18 e se sobressai na decoração de pequenos objetos e móveis. Por sobre um fundo preto, meticulosamente preparado, são pintados ramalhetes opulentos em cores naturais e chamativas. Na virada do século 19 para o século 20, os móveis pintados desaparecem. É o inicio da industrialização com a fabricação de móveis em série. A preocupação por algo pessoal, original e tudo o que dava charme aos móveis pintados, se perde.O interesse que vem surgindo em relação a Bauernmalerei (pintura camponesa) nos faz querer acreditar que o amor ao detalhe na decoração sutil do passado, vem aumentando novamente.